Um dos primeiros passos foi fazer uso da técnica de swales que são sulcos abertos na terra seguindo as curvas de nível do terreno. Assim, a água de chuva percola facilmente o solo e permite às plantas terem mais água disponível. Ao mesmo tempo, impedem que a chuva lave os nutrientes do solo e crie erosão. A técnica de palhada também é vastamente usada na fazenda e consiste em forrar continuamente a área ao redor das plantas cultivadas com matéria orgânica seca (capim, folhas, casca de café ou bagaço de cana) para reter umidade e evitar o crescimento de ervas daninhas. Ao mesmo tempo esse material se decompõe e melhora a nutrição e a vida do solo.

O solo das áreas de cultivo foi literalmente criado pelo processo de compostagem extensivo chamado de sheet composting. Sem ele, seria impossível produzir tamanha variedade de alimentos devido ao estado de esgotamento do solo e da formação natural rochosa do subsolo.

Seguindo um dos mais importantes princípios da permacultura, onde cada elemento deve ter várias funções, a fazenda cria galinhas em um sistema com galinheiro móvel. Os galinheiros tem exatamente o tamanho de cada canteiro de plantação. Ao passar, limpam o terreno de insetos, ciscam, fertilizam e deixam a terra preparada para uma nova semeadura, além dos ovos nutritivos que serão usados na cozinha. Já o ‘minhocário’ transforma o lixo orgânico do restaurante em abono altamente nutritivo usado no viveiro e nos jardins mantendo assim o ciclo intacto.

As hortas são desenhadas em forma de mandala onde verduras, frutas, plantas aromáticas, terapêuticas, ornamentais e nativas coexistem formando um meio saudável e equilibrado. A colheita é abundante e variada: desde alho, batata doce, batata, cebola até tomate, berinjela, pimentão, milho, abóbora e todas as folhas verdes imagináveis. Ervas frescas mediterrâneas, da América do Sul e Asiáticas completam o toque final de cada prato.

Junto às árvores frutíferas de clima temperado (frio) como pêssego, pêra, maça ou figo, também crescem frutíferas tropicais e nativas como manga, atemóia, goiaba, pitanga, acerola e graviola. E em meio a tudo isso, também se cultiva árvores nativas como pau d’arco, tamboril, copaíba, quaresmeira, quina, angico e jacaranda da Bahia. Mais de 200 espécies crescem e se desenvolvem felizes e saudáveis, um verdadeiro epicentro de biodiversidade.

Em 6 anos de trabalho, as mudanças são visíveis e reconfortantes. Árvores endêmicas e exóticas se desenvolvem com abundância; bosques pioneiros e primários começam a dar passo à árvores secundárias. A quantidade e variedade de vida silvestre aumenta igualmente, principalmente répteis e pássaros como o cardeal (Paroaria coronata), o pica pau(ordem Piciformes), o sofrê (Icterus jamacaii) e o anu preto (Crotophaga ani). Inclusive já se ouviu dizer que houve avistamento da onça local que empresta seu nome ao Bistrô.

O próximo passo do projeto é desenvolver a criação de bovinos e ovinos usando sistema racional racional Voisin para produzir lácteos e garantir esterco própio para as atividades de agricultura. A técnica consiste no pastoreio dos animais em pequenos piquetes, onde o tempo de permanência em cada piquete é o mínimo possível para obter a máxima qualidade de alimento para o animal. Isso implica menor impacto para as gramíneas, permitindo que haja rápida recuperação da pastagem. Essa prática ajuda o solo a reter sua diversidade biológica, evita a degradação por erosão e conseqüentemente recupera a vegetação original em um período de tempo mais eficiente.

“Cultivamos e pensamos de modo orgânico buscando sempre a variedade e equilíbrio!"